Bem-vindo ao meu jardim secreto. Aqui, entre descalço e sem expectativas, você pisa em solo sagrado: os meandros da minha alma. Neste espaço, sonhos, medos e esperanças se entrelaçam como um rico tapete, tecendo a história da mulher que sou hoje, com todas as suas nuances e complexidades. Abro este diário como um baú de memórias, registrando as histórias que me trouxeram até aqui. Prepare-se para se deparar com a realidade nua e crua, mas também com a beleza da jornada humana.
Eu ainda lembro do dia em que coloquei tudo no carro: roupas, brinquedos, esperança e aquele misto de pavor e excitação que só quem tá prestes a mudar a vida inteira conhece.
Não foi uma mudança qualquer, não foi só trocar de CEP. Foi sair de uma bolha onde todos sabiam mais da minha vida do que eu mesma. Eles sempre achavam que sabiam tudo e o que era melhor para mim.
Mudei de cidade com pouco dinheiro, sem emprego e com duas filhas. Parecia coisa de filme de superação, daqueles que você olha e pensa: "Isso aí só acontece no cinema". Mas não, era a minha vida mesmo. E vou te falar, o medo de fracassar era quase palpável. Sabe quando você sente que, se tudo der errado, o próximo passo é engolir o orgulho e voltar de cabeça baixa? Pois é, eu vivia com esse fantasma me rondando. Aquele pensamento constante: "E se eu não der conta? E se eu tiver que voltar e encarar todo mundo de novo?"
Cresci ouvindo que a vida, com o tempo, ia se ajeitando. Que bastava ser independente, ter um bom emprego, um casamento e pronto: estabilidade garantida. Só que aí o mundo virou de cabeça pra baixo e, cá entre nós, não foi só o mundo que mudou... eu também mudei. E foi aí que comecei a perceber: estabilidade é uma ilusão. Uma fantasia que a gente constrói na nossa cabeça, tipo aqueles castelos de areia na beira da praia que o mar derruba sem aviso.
Quando me vi novamente naquela cidade, com as meninas embaixo do braço, sem saber por onde começar, foi um baque. Eu tava acostumada a ser a mulher que resolve tudo, que dá conta do trabalho, dos filhos, do casamento. Só que, de repente, eu me vi sem chão. Não tinha emprego, não tinha casa, não tinha casamento. Tinha só as minhas decisões e a certeza de que não dava pra voltar atrás.
Foi nesse caos que eu comecei a enxergar o que realmente importava. Eu tava presa numa realidade que não era a minha, achando que as expectativas dos outros eram o meu guia. E, aos poucos, fui mudando o foco. O que antes parecia importante — tipo o que as pessoas achavam da minha vida — foi ficando cada vez menor, mais insignificante. E, no lugar disso, comecei a valorizar o que realmente fazia sentido pra mim.
Sabe aquele lance de que a realidade é uma construção da nossa mente? Pois é, eu vivia numa ilusão de que precisava atender expectativas que não eram minhas. Foi quando decidi parar de tentar agradar todo mundo e focar no que eu queria. Fui largando aos poucos as amarras que me prendiam a um "sucesso" que não fazia o menor sentido.
Quando eu mudei o que valorizava, minha vida começou a mudar de verdade. Não vou mentir, foi difícil, continua sendo. Teve muito choro escondido no banho, teve medo de falhar feio, mas aos poucos fui colhendo os frutos e continuo a colher.